Trilha sonora: Tattoo - Jordan Sparks
"Sorry, but I have to be strong and leave you behind"
Só de pensar aperta o coração! Não consegui dormir na sexta-feira pensando que faltam dias para eu terminar a faculdade e que a Tequilada vai ser a minha última festa como aluna casperiana. Não me lembro se mencionei aqui ou não, mas não sofri desse jeito com o fim do colégio. Eu era a típica menina de filme teen americano que é zoada até pelos professores e não via a hora de entrar na Cásper e começar tudo do zero. Comecei e agora tenho que me despedir. Não dá, é difícil demais!
Despedida sempre me lembra aquela sensação de que em breve você perderá algo que gosta muito. Falo mais que a boca, mas nunca soube como começar a dar adeus. Com a faculdade não poderia ser diferente. Aos oito anos de idade, eu sabia que queria estudar jornalismo na Cásper Líbero. Perdi todas as comemorações no terceiro colegial pra me dedicar ao cursinho. Não tive férias em dezembro e janeiro do meu ano de vestibulanda, estava em outro cursinho especializado. Apesar de achar que meu desempenho na prova não seria o suficiente, algo lá dentro me dizia que eu ia passar. E é, meu nome apareceu algumas depois na primeira lista de aprovados.
Foram quatro anos de estudo e festa. No início, tudo era felicidade. Quando finalmente coloquei meus pés no número 900 da Avenida Paulista, senti que estava em casa. Conquistei amizades verdadeiras e fiz uma porção de trabalhos em grupo. A gente sempre brigava com um ou outro integrante por não fazer nada. A faculdade lembrava muito meu colégio com todas as panelinhas na sala de aula e a conversa furada dos alunos - sem a parte de me zoar, é claro!
Eram 45 alunos. No começo do segundo ano, esse número passou a diminuir, já que alguns se mudaram para a turma da noite. Afinal, é hora de brincar de gente grande e arrumar um estágio. As aulas não são mais tão agradáveis, confesso que eu nunca vou entender Economia. Um ou outro se preocupa com um possível exame ou DP. A vida maravilhosa de calouro de fato acabou.
Enquanto muitos desistiram do curso de Jornalismo, outros foram transferidos. Cheguei ao terceiro ano e encontrei mais de dez pessoas que nunca tinha visto antes. Agora eles já fazem parte da turma, mas era estranho quando um professor fazia a chamada e todos resmungavam: "quem é esse?".
Talvez por ser o último, o quarto ano passa tão depressa que você nem percebe. É tarefa demais para uma pessoa só. Tem o trabalho, a faculdade e o tão temido Trabalho de Conclusão de Curso. Nem sei bem como arrumamos tempo para nos divertir socialmente. Pensei muitas vezes em largar mão do TCC, mas quando assisti meu documentário pronto, me deu saudade. Uma ilusão que eu neguei segundos depois.
Dos meus dias de bixete calcinha até veterana total, lembro de tudo. Vou sentir muita falta. De toda a expectativa antes da Pororoca, daquele rebuliço de gente perguntando qual vai ser a sua fantasia. De alguns professores. Não vou negar, só de alguns. Porque outros a gente dá graças a Deus por não ver mais. Depois a gente entende que não teria a menor graça se todos fossem bonzinhos.
Mas a saudade vai ser bem maior quando eu lembrar das minhas amigas. Das nossas reuniões de amigo secreto, das fofocas e da roda que fazíamos na parede próxima ao laboratório de redação, batizado de Cantinho do Mal. Sei que amigos de verdade não somem, mas vai ser difícil saber que o meu dia não terá todas as oito melhores amigas que uma mulher pode ter.
Entrei na Cásper e saio com a sensação de missão cumprida. Poderia ter vivido mais coisas lá dentro, mas a verdade é que foram os melhores anos da minha vida. Quatro anos ditos assim parecem uma eternidade, mas eles são muito rápidos. Ensaiei por muitas vezes o que diria na minha formatura. E, as vezes, palavras são vagas demais para expressar tudo o que a gente sente.
Nota da autora: Esse texto (do segundo ao último parágrafo) foi feito para a minha aula de Redação. Lembro que cheguei atrasada nesse dia e, mesmo assim, terminei antes de algumas amigas que já estavam na sala. Escrevi e quando fui reler, chorei feito uma menina boba. Foi engraçado porque nunca tinha chorado com nenhum texto que eu escrevi. Uma amiga disse que é porque foi feito de coração. E foi mesmo, com o meu coração que agora tá pequenino.